Calçamento de pedra volta à Rua das Acácias depois de 40 anos sob o asfalto
Obra de recuperação retira a capa asfáltica, recoloca as pedras originais e deve terminar antes do Festival de Inverno. Comerciantes temem a poeira, mas apostam no movimento de turistas.
Quem passou pela Rua das Acácias nesta semana encontrou uma cena que os moradores mais antigos do Vale do Cedro não viam desde o fim dos anos 1980: o asfalto saindo em placas e, por baixo dele, as pedras irregulares que formavam o calçamento original do centro.
A obra cobre 620 metros, da praça da Matriz até a antiga estação ferroviária, e faz parte do programa de recuperação do centro histórico. Segundo a secretaria de obras, cerca de 70% das pedras retiradas estão em condição de ser reaproveitadas. O restante será reposto com material da mesma pedreira que abasteceu a cidade no início do século passado.
Prazo apertado
O cronograma prevê a conclusão em sete semanas, antes da abertura do Festival de Inverno. Para isso, as equipes trabalham em dois turnos e a rua foi dividida em quatro trechos, liberados um de cada vez. O trânsito de veículos fica proibido no trecho em obras, mas o acesso de pedestres às lojas está garantido por passarelas de madeira.
"A pedra segura o calor menos que o asfalto, escoa melhor a água da chuva e devolve à rua a cara que ela tinha. É uma obra de manutenção, mas também de memória."
Engenheiro responsável pela obra
Entre os comerciantes, a reação é dividida. Dona de uma loja de artesanato no meio da rua, uma das empresárias ouvidas pela reportagem conta que o movimento caiu na primeira semana, por causa da poeira e do barulho. "Mas eu vi fotos antigas da rua e acho que vale a pena. Turista gosta disso", diz.
A associação comercial negocia com a prefeitura uma campanha de divulgação para os trechos já liberados e a instalação de sinalização provisória indicando que as lojas continuam abertas.
O que muda no trânsito
- Trecho 1, da praça da Matriz à Rua do Comércio: fechado até sexta-feira.
- Ônibus da linha Centro passam a usar a Avenida das Palmeiras.
- Carga e descarga liberadas das 6h às 8h nos trechos sem obra.
- Estacionamento provisório no pátio da antiga estação, sem custo.
O investimento é de R$ 1,8 milhão, com recursos de um convênio estadual para cidades com patrimônio histórico. A próxima etapa, prevista para o primeiro semestre do ano que vem, deve incluir a troca da iluminação por luminárias de estilo antigo e o enterramento da fiação.


